Hoje todo mundo é blogueiro, será?!

Se tornar blogueiro está em alta! Basta uma câmera, escolher um tema (ou vários) e sair postando.
Vale clicar comida, opinar sobre estabelecimentos, viajar, tirar selfie mostrando o look do dia…
Mas será mesmo que só isso basta?

Cercados pela tecnologia e mergulhados na era digital, é notável o número de pessoas que resolvem postar suas atividades e por vezes tornarem-se opinadoras “especializadas” em um tema ou em assuntos gerais.
Mais fácil do que encontrar esses “formadores de opinião” pelo mundo virtual é os encontrar pela rua, já que estão sempre tirando uma foto, fazendo uma transmissão ao vivo e caprichando nas caras, bocas e muitas vezes na simpatia nada espontânea.

Quando se fala do verdadeiro mundo dos influenciadores e produtores de conteúdo, que vai muito além de permutas, amostras, presentes e cenários de tirar o folego a realidade se mostra tão normal quanto qualquer profissão.

Não, não basta um celular com câmera (nem que seja um iphone 20) e vontade de falar o que pensa. Exceto se for uma mulher super torneada, siliconada e que poste uma infinidade de fotos de biquini, ai basta um celular qualquer com câmera pra chover seguidores e se tornar Digital Influencer!

A casa da vó no interior ou aquela pousada na praia podem ser lugares lindos, mas isso não será o suficiente para angariar público de qualidade. Você precisa de mais do que uma simples foto do seu prato pra instigar alguém a comer no mesmo restaurante que você esteve. Você precisa transmitir algo.


Este artigo não tem o objetivo de ser um tutorial para novos blogueiros, mas vamos começar pelo começo e expor algumas realidades e necessidades básicas, que sim, podem ajudar quem pensa em seguir por esse caminho super bacana, mas também poderá fazer você entender um pouco melhor essa profissão desejada por muitos.
É uma forma de compartilhar o pensamento que tenho de que produtos Apple e uma xícara de café na foto não tornam ninguém uma celebridade da blogsfera.

Não se constrói público forçando intimidade. Chamar seus leitores de migos, bff, seus best ou se dar títulos como titia, brother, coach, etc, além de presunçoso é bem ridículo. Exceto quanto você realmente tem um título a destacar (não entrarei no mérito dos coachs que brotam da terra) e daqueles que você conhece de verdade no mundo real, são raras as pessoas com as quais você vai adquirir intimidade. Com o tempo você vai identificar seguidores regulares, pode até perceber alguns gostos e responder interações com mais facilidade, mas pra chamar de “migo(a)” precisa de bem mais. Permaneça em seu lugar.

Para ter público você precisa de conteúdo regular e focado. As pessoas não querem mais uma revista de variedades, pra isso existem grandes portais, que inclusive tem sua credibilidade bem questionada. As pessoas querem acompanhar um assunto, no máximo coisas que tenham vínculo. Querer falar de política, de trilhas, contar piada, tudo junto, com toda certeza não fará um blog ir muito longe. Tenha foco.

Sim, você precisa mais do que um celular e isso é inquestionável. Seus leitores cada vez mais exigirão cenas diferentes, conteúdos mais elaborados e pra isso você vai ser obrigado a investir em equipamentos.
Seja uma câmera melhor, uma lente, um drone, tripé, gravador, microfones ou até mesmo detalhes como um servidor, investir em um domínio próprio, isso é o que fará você se profissionalizar e por fim é o que irá diferenciar o joio do trigo. Invista no seu sonho.

Juntando esses preceitos básicos, aos poucos você vai se construindo como blogueiro, construindo sua identidade, criando seu público e se familiarizando com esse mundo que a cada dia possui uma necessidade diferente a ser atendida e uma novidade para ser descoberta.

Para ser bem sincero o caminho é simples, basta paciência, humildade e fome de conhecimento, tudo isso junto e de forma constante. Ninguém atinge 1 milhão de seguidores do dia para a noite. Também não é porque você tem 5 mil seguidores que pode mudar seu status para Influenciador Digital. Outra coisa que não adianta é atingir público e de repente se transformar em um jornalzinho de bairro que faz propaganda de suplemento, cafeteria e destinos turísticos, o nome disso é classificados.

A realidade é que muitas empresas pequenas são burras, aceitam qualquer coisa como blog e qualquer um como influenciador digital e muitas empresas de grande porte ainda contratam no sistema de QI (quem indica), mas o mundo esta mudando e muitos desses auto-intitulados “figuras publicas”, com o tempo acabam atirando no próprio pé e desaparecem – Vendo perfil com 300 mil seguidores – sim, é a crise!

As máximas da humildade, paciência, foco e investimento fazem você construir um nome, se consolidar em um mercado, tornar-se um especialista em determinado assunto. Com o tempo, automaticamente você dará um rumo profissional para o hobby e isso é o que fará a longo prazo você ser um blogueiro que vive disto.
Número de seguidores pode proporcionar algumas regalias a curto prazo, mas mais cedo ou mais tarde Facebook, Instagram, Twitter, etc, irão desaparecer e o que será de você quando seus milhares de seguidores virarem fumaça?

Para ser blogueiro não basta apenas querer. Quando mais seguidores/leitores você possuir maior será a necessidade de produzir. Como digo, é preciso alimentar todas essas pessoas que tem fome de informação.
Pode parecer fácil fazer postagens, alguns textos, umas fotos com bom ângulo, mas antes disso, além daquele básico lá de cima, você precisa criar pautas, encontrar assunto, dominar as palavras, se tornar redator, aprender a usar seu equipamento, entender como as redes sociais funcionam de verdade, manusear aplicativos e softwares…

Você vai deixar de simplesmente passear pra obrigatoriamente conhecer um lugar, entender um produto, facilitar a vida do seu leitor. Por mais prazeroso que seja (e em alguns momento é muito), você vai perceber que está conferindo a devida seriedade que seu sonho merece quando se sentir obrigado a fazer algumas coisas, enquanto poderia estar simplesmente aproveitando o momento.

É maravilhoso ir de um lado para o outro, viajar, comer, beber, utilizar produtos que são tendência; mas por vezes não tem nada de VIP. É preciso sensibilidade, imparcialidade, respeito (pelo parceiro / anunciante / patrocinador / leitor e por você mesmo), seu blog não pode tornar-se um folhetim, a menos que você queira ser mais um se prostituindo para cair na vala comum.

“O que motiva um blogueiro é tão particular e relativo que é impossível de se generalizar, mas entre as verdades estão o desejo de compartilhar bons achados, preservar as pessoas de más escolhas e de facilitar a vida de quem tem interesses semelhantes.” Tenha isso em mente na hora de criar.

Pra quem está iniciando algo de qualidade, com os pés no chão e noção do mundo ao seu redor, por vezes pode parecer impossível atingir seus objetivos, afinal o mercado de blogs é tão violento quanto qualquer outro.
No Brasil a briga já começa pela definição “blogueiro”, onde apesar de alguns blogs possuírem mais público e qualidade do que muitas colunas de jornal, intitular-se jornalista é uma ofensa punível com pena de morte!

Não digo que são profissões com os mesmos atributos, mas só pra resumir a ideia, fora do Brasil blogueiros são considerados jornalistas independentes, sendo quase sempre definidos como Jornalista/Imprensa. No nosso país nem se exige mais curso superior para o exercício da profissão, mas o pessoal da área insiste em se matar por um título, ao invés de buscar se diferenciar pela qualidade.
Enfim, um “padrão Brasil” que não me dá tesão em debater.

Acho que acompanhar perfis de qualidade, nacionais e internacionais, que tem seus milhares, milhões, de seguidores é fundamental pra aprendermos como os grandes trabalham com todo esse público, o que os motiva e como todo esse monte de pessoas reagem. Mas o que acaba com o ânimo de quem produz conteúdo digital por vezes é ver celebridades instantâneas totalmente desconhecidas, com seus 15 minutos de fama por causa de 1 milhão de seguidores. Grande influenciador digital!
Isso não é inveja, de forma alguma, isso é conhecer o mercado e saber que muitos desses perfis sem o mínimo de conteúdo compram milhares de seguidores por dia e fazem o tolo do patrocinador acreditar que está bombando.

Mas não vale desanimar! Você deve mirar em boas referências e seguir seu caminho. Como eu disse, aos poucos muitos desses TOP10 estão se matando, entre si ou pior, sozinhos. Muitos, cada vez que publicam algo ou abrem a boca parecem o Steven Jobs anunciando um lançamento (apesar de que Jobs tinha seu Q a mais).
Pensam ser absolutamente incríveis em suas opiniões e donos de uma verdade irrefutável , do tipo que se comeriam no final da balada, mas aos poucos sua arrogância e presunção faz com que definhem e abandonem a área, já que o mercado não tem interesse em trabalhar com esse tipo de gente.  Pense bem, com o passar do tempo nem as excentricidades de um ator de Hollywood são mais aceitas.

Outra coisa um tanto estranha é se “vender” na terceira, quarta pessoa e/ou com titulo: Digital Influencer.
Por melhor que você seja, tenha humildade. Se você produz conteúdo de qualidade, tem público e suas palavras tem peso, não é necessário se auto denominar qualquer coisa. Continue sendo quem você é e fazendo o que faz.
Um blogueiro não é uma celebridade e se auto promover profissionalmente é como dizer que você é bom de cama, se você é realmente bom não precisa dizer, deixe que os outros digam.

O mesmo vale para o título “Oficial”. As sub celebridades tem uma necessidade muito grande de se auto afirmarem, por isso é normal informarem aos seus seguidores que são sua versão original, com um sonoro “Perfil Oficial”.
Mas quando se é importante o suficiente para se ter essa preocupação, a própria rede social tem esse cuidado e providencia aquele selo azul ao lado do seu nome.
Aquela validação, que tem sua distribuição definida pela empresa, é que faz de você notório ao ponto de cuidar-se para que não hajam cópias, perfis fakes. Colocar oficial em seu perfil faz você voltar uma casa!

Muito melhor do que se apresentar com uma quantidade qualquer de pronomes é ser conhecido pelo seu trabalho, reconhecido pelo que você faz, diz, mostra. Não caia nessa tolice, é feio.

Vamos ser sinceros e falar de dinheiro. Blog dá dinheiro? Dá Sim. Dá dinheiro, possibilidades, abre portas e não sejamos hipócritas, por vezes proporciona algumas boas mordomias. Mas falando em dinheiro, já viu o quanto tem de blogueiro que parece jornal das 18hs? Não pode falar 2 ou 3 coisas sem citar um “parceiro”.
Esse negócio de “e-mail para parcerias” ou “parcerias por direct” é bem bobinho, coloca qualquer grande profissional ao patamar de uma apaixonada por make de 16 anos.

Quando alguém quiser falar com você, pode ter certeza que a pessoa saberá enviar uma mensagem ou procurar seu e-mail no site/rede social, sério mesmo.

Muita gente pensa que blogueiro vive de permuta (alguns acho que até vivem!) e outros tantos desejam virar blogueiros simplesmente para ganhar/trocar de tudo. É a realidade. Basta rodar pelas redes sociais pra ver gente fechando “parceria” com suplemento, pizzaria, loja de roupa da esquina, dentista, o pessoal não tem dó de fazer escambo por qualquer coisa. Não possuem foco nem sabem o que é nicho, se tem a palavra parceria estão dentro.

O caminho é longo e hoje não vou entrar no mérito de como ganhar dinheiro com seu blog, mas claro, existem as boas parcerias comerciais que você pode fazer, além de publicidade de produtos/serviços que tenham ligação com sua área, prestação de serviços, venda de imagens, consultoria, Adsense, produzir conteúdos para outros blogs, sites ou marcas… Enfim, quando você começa a solidificar seu nome existem inúmeras possibilidades para tornar um blog rentável.

Nada contra, cada um com seu estilo, mas algo que me faz revirar os olhos são as frases de inspiração que tem gente que se obriga a publicar diariamente. Aquela “dica quente” de um produto/serviço/destino segue lado a lado com a frase motivacional e muitas vezes um foto do influenciador em questão pensativo, coisa de revista!

Também não vale fazer Stories só pra dizer que tem post novo no blog ou foto nova na rede social. Use a função com sabedoria!

Outra coisa que por vezes passa na cabeça de quem se aventura pelo mundo de blogs e sentir-se o patinho feio.
Fique tranquilo (a), outros blogueiros não são seus concorrentes, você conhecerá muita gente bacana. Com a maioria deles você poderá trocar idéias, tirar dúvidas e assim por vezes surgem boas amizades, reais e virtuais.
Mas não andar em bando não significa nada. Algo muito normal nos tempos atuais são os encontros de blogueiros, onde quase sempre se vê as mesmas caras. Você pode até pensar que a maioria deles tem alguma missão divida, afinal, são os escolhidos para estarem em todos os bons eventos, mas a verdade é que existe muito arroz de festa!

Realmente nos grandes centros do país é mais fácil, grande maioria dos bons e grandes influenciadores estão nessas regiões. Então nada mais comum que se reúnam, participem frequentemente de eventos juntos e realizem seus próprios encontros. Não deixe-se abater Jovem Padawan, saiba que a maioria dos “encontros de blogueiros” que estão acontecendo, principalmente fora dos grandes centros, não valem a pena para ninguém (quando valer a pena refere-se a retorno e não simplesmente a likes). São daquele tipo que é uma perda de tempo pra você e uma vergonha pelo investimento dos patrocinadores.


Procure por encontros regionais, nacionais, conceituados e principalmente por feiras do seu segmento. Isso fará você adquirir Know-how para aproveitar as novidades, lhe trará um norte profissional e com o tempo, além de lhe proporcionar uma network interessante, fará você ingressar no mailing de empresas com as quais poderá trabalhar.
Por isso, não adianta comprar uma infinidade de marcas e sair “tagueando” todo mundo nas fotos, achando que ganhará visibilidade dos administradores.

Ser blogueiro é algo incrível, que faz você perceber tendências, destinos, produtos e serviços por um novo olhar.
Você compreende os verdadeiros significados para quem compra/usa ao final da cadeia, que é pelo qual empresas gastam anos na produção de algo. Você deixa de ser um consumidor voraz e passa a ser um degustador, que aprende a saborear as coisas para poder descrever aos outros. Além do que também proporciona à você a possibilidade de tornar críticas e sugestões adquirirem muito mais relevância diante de todos.

Realmente é um nicho bruto, onde por trás do aparente mundo colorido e bon vivant, tem muita gente aproveitadora, nojenta de conviver e que busca destaque a qualquer preço. Mas é assim em toda área!
Basta não se espelhar nessas pessoas e nem se abalar por tais. Se possível inclusive evitá-las.

Os desafios são muitos e a satisfação é proporcional, tenha certeza disso. Os blogs e redes sociais são na atualidade os meios de comunicação mais usados e decisivos na hora da escolha dos consumidores, por isso, siga fazendo o seu melhor e ao final você vai se surpreender de como trabalhar no que gosta pode ser prazeroso.

 

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