Piedras Rojas, no Atacama, foi fechada para turistas e a culpa é de um brasileiro

O atleta brasileiro Reno Romeu, está no centro das discussões nos últimos dias, após praticar kitesurf em uma laguna preservada no Salar de Talar, área de Piedras Rojas, um dos principais pontos turísticos da região do Deserto do Atacama, no Chile.

Em um vídeo registrado por um local, o atleta aparece praticando o esporte, enquanto é filmado por um drone em uma produção para o canal de televisão paga OFF, propriedade da Rede Globo.
A ação vem sendo duramente questionada, levantando-se o debate quanto a falta de autorização e ao dano ambiental causado a fauna e flora local, já que a área é habitat em especial de flamingos, além de outras aves, que teriam abandonado seu local de descanso e alimentação.

Em uma publicação que já foi retirada da internet depois do repercussão do caso, o local que questiona:

“Turismo irresponsável que é praticado pelo turista desinformado e, infelizmente, também por algumas agências. Todos questionam a taxa de entrada para os setores turísticos de San Pedro, mas essa é uma das razões para essas tarifas, por causa desses turistas, é necessário para que alguém supervisione e lembre o tempo todo o que pode e não pode ser feito. Todo mundo vai apontar para Conaf, o que não existe? … Eu me pergunto onde estão os guias que estavam lá naquele dia? Eles fizeram alguma coisa? “.

A responsável pela filmagem conclui: “Este tipo de atividades constituem turismo irresponsável, leis ruins e falta de controle do Sernatur e Conaf para todos os prestadores de serviços. Eles acabarão matando este lugar e seremos forçados a emigrar deste oásis “.

 

 


O CONAF  (Corporação Florestal Nacional do Chile) que é algo como o ICMBio no Brasil, se manifestou através de seu diretor regional Alejandro S. Vargas, salientando que o local não trata-se de uma área sob a jurisdicação de órgãos, assim não cabendo ação jurídica e assegurou tratar-se de uma ação de dano reversível, porém referindo-se a atitude polêmica como um dano de impacto médio ao sistema ambiental local. Vargas esclarece que a área não é zona de nidificação (onde as aves constroem seus ninhos) e que a fauna desaparece momentaneamente, porém retorna.

Apesar da incapacidade de  realizar qualquer sansão, Vargas cita o risco que não proteger este sal que serve de alimento pode causar e advertiu que “a ação de uma única pessoa pode causar um desastre ecológico, como aconteceu em Torres del Paine”.

Apesar de não tratar-se de uma área oficial de preservação, as autoridades locais possuem um plano de conservação para os flamingos e para isso trabalham em conjunto com a policia, operadores turísticos e a comunidade indígena, que possuem como direito vigiar áreas que não estão legalmente protegidas.

 

O Chile é um país com grande movimentação turística e está a alguns anos no ápice do destaque mundial, o que obriga que autoridades e a população em geral trabalhe sob rígidos preceitos de preservação.

A atitude presunçosa do atleta brasileiro somou-se em um momento já conturbado na região, que passa pelo caos do turismo desenfreado, transtornos gerados pela mineração e poluição, além do aparecimento de pichações em pedras, que mesmo sem ligações com Romeu, foram a gota final para que indígenas se revoltassem e fechassem a região para visitações turísticas.

O passeio, que é um dos muitos oferecidos por agências locais, está suspenso por tempo indeterminado e através de informações locais, aguarda-se para os próximos dias uma reunião entre operadores e indígenas afim de buscar uma forma de acalmar os ânimos e (espera-se) reabrir o local, que é fonte de renda para muitos.


O atleta manifestou-se através de uma publicação em sua rede social, porém a direção do canal OFF até o momento não comentou o assunto, mesmo com a enxurrada de críticas que vem recebendo em suas postagens.

Reno Romeu afirma tratar-se de um esporte limpo e que não gera danos ambientais, contribuindo com empregos e renda para comunidades locais, mesmo quando praticado em áreas de preservação e que as imagens produzidas serviriam para promoção do próprio local, além do kitesurf em si.
Assegura que a equipe procura realizar estudos prévios afim de evitar qualquer dano ao local, além de respeitar a legislação e as regras de comunidades regionais.
Por fim, ressalta que no local não existem quaisquer barreiras, controle ou sinalização e que a área também não está sob jurisdição do CONAF, assim com seu livre acesso.

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